sexta-feira, 30 de abril de 2010

Alcoviteirísses

Sta.Velha

Casou donzela, casta, imaculada
Suportando o suplício de ser desflorada
Por moço virtuoso e de bom sustento
Com fervores de mártir, lá fez o portento

Piedosa alma, tal santa mãezinha
Cumpriu convicta, os ditames à linha
Mas mais q´isso não! pois seria pecado
E o pobre do moço lá se viu pobre… murchado

Com três cândidos frutos Deus a abençoou
Três anjinhos sagrados, que ela enlevada cuidou
A seu tempo o tal moço, morreu, coitadinho
Diz ter sido por febres, as más-línguas… por vinho

Enlutou-se viúva, e escondeu recatada
A sua pura bainha a qualquer outra espada
Com fidelidade canina ao defunto ´tadinha
Pagou missas e credos p´rá purga d´alminha

Mas por detrás da mantilha, sem ninguém suspeitar
Uma mente perversa peca a congeminar
Com açúcar na voz, extrai confissões infelizes
Às mocitas que crê sujas, ai porcas meretrizes

E Lá vai a velha de língua afiada
Com o rabo em brasa, voa apressada
Esbanja noticia, carrega laidinhas
P´ra meter no rabo das outras vizinhas

È o seu pão-prá-boca, alimento pró bucho
Quer vingar existência, não teve ela esse luxo
E na vergonha dos outros vê a sua virtude
Deus lhe dê mercês, mais fortuna e saúde

Puta da velha, velhaca sem dó
Faz os sonhos dos outros em cinza e em pó
E ao deitar é rosário, de fio a pavio
Cabra da velha, puta c´a pariu!


(Apeteceu-me! Arreliam-me as vizinhas com queda para a cusquísse, ainda por cima, e infelizmente, quando não têm onde cair)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Jogo do Elástico...

- = + ?

Aritmética esquiva esta a tua rapaz…
Puxo e repuxo pelo miolo e escapa-se-me a equação…
Os teus recados são como mercúrio…
Isso…

O mercúrio encerra propriedades alquímicas, tóxicas em alta dosagem...
Quando lhe tentamos aceder…
Estilhaça-se em mil gotinhas fugidias e Vrrrummmmmmfuuuuuiiiizzzzzzz …lá vão elas…

Evitas-me… ignoras-me… esqueces-me deliberadamente…
Para depois, implacável, me acertares com um ou outro dardo cupidesco e amalandrado…
Desses mesmo... que me rebentam com a pacatez e me invertem as polaridades...

Pergunto-me qual de nós será o mais insano…
Tu… por seres tal qual és…
Ou Eu, por, ainda assim… te continuar a querer?

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Em Sevilha foi a puta da loucura... La Feria é uma uma espécie de Santos de Lisboa X Feira da Golegã, ou seja, há folia mas ninguém se esmaga e está tudo vestido a preceito.
É claro que não faz justiça à comida de nenhuma das anteriores, Apre! As tapas enjoam de gordurosas, a cerveja sofre de síndrome de morte súbita, o pão (caso não seja consumido em fracções de segundo) passa a arma de arremesso, a àgua é imprópria para diabéticos (Blhark pá H2O espanhola, é doce) e o café... esse nem comento!
Safaram-se os Rebujitos, uma bebida bastante decente (manzanilla+7Up) que sobe de pantufas e nos deixa num estado entre o alegrete e o flutuante.

O.K: Rebujitos, bailaricos, luzinhas e rónhónhós... elas todas cheias de folhos, bolas nos vestidos, castanholas, fogo no rabo (chiça, dançar sevilhanas tem o que se lhe diga...) e rosas multi-colores (que mais pareciam couves-flôr) no alto da peúga, mas todas bem enjorcadas e cheias de atitude.

Eles (epá, feeeeeeeeeeeeeeeeeios que mete dó e ainda nos queixamos dos nossos) com aquelas ventas-de-urinol, (o ar de quem está prestes a fazer uma pega de caras com um pau de vassoura enfiado no cú).

Nós, as paderinhas do país de "Àhhh Cristiano Ronaldo hê?" (como se viéssemos dos antípodas...for goodness sake! Qué fatal!) com cravos vermelhos enfiados nas melenas à La 25 de Abril, com certeza (pois é, tb queríamos estar girassas mas sem dar uma machadada na pátria..., ainda pensei levar um traje de Minhota ou Nazarena pero.... podia cair mal... ou no ridículo hehehehe), a curtirmos o prato e a enxotarmos os miralóstés mais afoitos.

Foi muito bom, espantámos a rotina, o fado e a apatia depressiva que assola a Lusitânia.... para voltarmos e encontrarmos tudo... ainda pior! Óh que sina aziaga a deste país.

quinta-feira, 22 de abril de 2010


Cá vou eu... e não é a caminho de Viseu!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Cantos de F....


"O grande problema das gajas com mais de 30 anos que sofrem por amor é continuarem a confundir contos de fadas com cantos de foda"


(Não me lembro quem se saiu com esta mas li algures)

Tenho uma amiga... ( e sim, é mesmo uma amiga, tb já fiz disparates idênticos, mas não sou eu, quando for, aviso) que após uma separação dolorosa de um relacionamento longo e feliz, deu por si subitamente arrebatada e envolvida por uma antiga paixão mal resolvida (daquelas que se nos ficam entaladas no canal da sopa de tão surreais que foram e que, por obra do acaso, não deram em nada).


Ora, to make a long story short:


Girl is sad and blue, with a broken heart and needs confort from close fiends

Boy saves girl from total dispair and confesses his long hidden affection for her

Girl refalls madly in love with boy and drops everything to dedicate herself to "the real thing" the "happily ever after"...


.... hollywood mesmo.

Tudo flores, napalm de hormonas, estrelinhas cintilantes, caleidoscópio...

Pois é, na fracção de um espirro ela decidiu largar tudo; emprego, família, amigos, país - isto porque o príncipe era emigrante (mas com pedigree, note-se) - Para ir viver com ele num país do qual mal falava a língua.
Os amigos, apesar de preocupados, aceitaram (obviamente) porque os "mas" não entravam nesta equação perfeita... e ela estava mesmo muito feliz.

Cada vez que sentia receio por ela ou estranhava o milagre não me atrevia a abrir a boca - não há coisa mais pica-miolos do que ter um amigo a sussurar-nos ao ouvido "tu vê lá..." "e se..." quando estamos no Éden depois de uma passagem por um poço de crude fedorento - para isso servem os pais não é? E, apesar da tendência pró-racional, não tenho grande pendor para Cassandrísses.

Pois....ainda por cima, como tb estou em stand-by relacional - vulgo: encalhada Hehehe - logo uma pontada de auto-crítica se me assolou o frontal "desliga o complicador, estás a ser parva, castradora, ela está feliz, talvez isto possa acontecer, vês....isto pode acontecer...etc.etc.etc.etc." portanto... moita-carrasco.

É obvio que o rapaz teve que passar por uma vistoria e foi cuidadosamente avaliado durante um repasto de convívio fraterno e bem disposto com o gaijêdo. Nada a apontar, até enjoavam de tão deleitadamente apaixonados, o.k. bom sinal.... ou não?

Nos e-mails silenciosos já qualquer coisa cheirava menos bem... mas aparentemente... eram apenas os bafos esperados de quem se apaixonou e se juntou à velocidade de uma cãimbra.

Dois meses depois voltaram aqui à terrinha e... W.T.F????...

Vai-se a ver... e o príncipe virou mesmo sapo!.... No seu habitat natural, território previamente marcado pelo (único) macho dominante... revelou-se numa refinada besta! i.e: resmungão, birrento, castrador, paternalista, ciumento, petulante..... enfim, um quebra-egos do mais alto calíbre e fineza.....e eis por fim o cagalhão fumegante e malcheiroso!...

Apesar de ter tomado consciência do logro (e do Ogre) por incrível que pareça (ou não) ela ainda hoje se agarra febrilmente a uma centelha de esperança, como se por debaixo do polvo enraivecido ainda houvesse um príncipe amedrontado, melancólico e sedento de compaixão, prontinho a ser salvo por uma princesa guerreira artilhada de granadas de amor e compreensão...

Epá mas desta vez não deu para tapar a boca, os ouvidos e os olhos.... era gritante o engodo e ela é uma mulher inteligente - talvez reitere esta observação alegando a insanidade momentânea dos tresloucadamente encupidados - mas só peço que, ainda assim, tudo acabe em bem (para ela obviamente, o gajo que vá bardamerda).

E é a vida... mais uma vez, cá estaremos para o que der e vier: receber o resgatado das trevas com um sorriso (céptico) ou amparar a donzela, mesmo que o que o que lhe reste seja apanhar os cacos de um sonho e recomeçar a faina de luto...

Só gostaria de acrescentar que:......NÃO É JUSTO......DASSSSS!

ps: Logo Eu que já estava novamente a começar a dar uma pitada de crédito a estes delírios amoureaux... (.....Et Voilá, com mil centopeias pernetas... nunca aprendemos...Damn!).

terça-feira, 20 de abril de 2010

Choque tecnológico...


Magalhães à Transmontana...
Querem cousa mais ecológica?

"Economia portuguesa deverá ficar estagnada até 2012 - EIU"


Em "jovens" dizia-se que eramos uma geração "Rasca", actualmente, já se disse que somos, sem sombra de dúvida, uma geração "à Rasca"... mas o que deveras me comicha é no futuro virmo-nos a tornar uma geração..."Rosca".
Tipo tapa-fendas biscateiro, entalada entre as reformas (que não vamos ter) e os impostos que se continuarão a pagar até lá.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Estava a brincar pá! ... dia 30 conto lá estar... hummmm....e sair de lá interinha da silva....
Vá, está bem, é justo, se forem só uns edemazitos inconsequentes, umas bolhitas nos cascos, umas mordeduras nas cordas vocais e uns zumbidos passageiros nos tímpanos.... a coisa leva-se bem.

«Os Franceses dizem: é necessário uivar com os lobos. Eu digo: é útil balar com os carneiros; ganha-se a estima dos nédios, as cortesias dos chapéus do Roxo, palmadinhas doces no ombro, de manhã à noite uma pingadeirazinha de glória. Mas ir sacudir, incomodar o repouso da velha Tolice Humana, traz desconfortos; vêm as calùniazinhas, os ódiozinhos, os sorrisos amarelos, a cicuta de Sócrates às colheres»

Eça de Queiroz

Mal sabia o barbichas o que por i vinha...



Musa Gumus - Turquia

domingo, 18 de abril de 2010

(Di)Agnóstico


Já se me passou a mosca e como sou nova nas lides bloggistas, andei a "varejeirar" alguns blogs que por aí pupulam.
Confesso que fiquei algo "flabbergasted" com o que encontrei...é um admirável mundo novo caraças.

É que ele há de tudo...

Mais do que com o ímpeto "predatório" (económicamente, e não só), fiquei particularmente intrigada com o movimento "pregatório" na blogosfera, ....Ena! Tanta gente tão convicta, tão aguerridamente sôfrega nas suas convicções, verdadeiros bombons de napalm na liberdade de expressão! Anónimos (o que respeito claro está, a hipocrisia não é propriamente o meu forte).


Que espalhem a palavra de Deus (escrita pela mão do homem, logo, falível, digo eu) nos seus espaços (de culto, públicos, internéticos ou nem por isso) é pacífico, mas, darem-se ao fado de (per)seguir blogues para comentarem, ultrajados, as opiniões alheias... mesmo que, pelo que li, algo sarcásticas/mordazes (pronto, está bem, desrespeitosas)... soa-me a algo tangente com o patológico.

Não se maçem pá! Certamente Deus já vos reservou um lugarzinho no céu (desde que, antes de partir se arrependam dos vossos pecados, em acto e pensamento, obviamente).

Não vos parece muito mais oportuno e produtivo pregarem o amor, a paz, a humildade, a fraternidade - o que é feito do "dar a outra face", minha gente? - e afins valores francamente mais interessantes, do que vociferarem, qual justiceiros divinos por decreto, que os outros são uma cambada de blasfemos e que vão arder nos infernos?

Em vez de julgarem (em busca do conflito e da redenção, qual Torquemadas afoitos), tenham juizo e poupem-se... Não gostam? É simples, não leiam! É bem melhor para a vossa e para a saúde mental de toda a gente...
Agora a sério meus bravos, ter fé (seja em que Deus for) pode ser, na minha opinião, muito salutar!
Não sei se move montanhas, mas que liberta endorfinas, lá isso liberta. Faço porém uma ressalva, quando digo ter fé, é no sentido do conforto, do se sentirem acompanhados e olharem para o futuro com alento, não é serem esmagados pelo jugo da cousa pecaminosa que acarreta culpabilidade e medo (isso é uma merda, liberta cortisol e dá direito às mais variadas doenças psicossomáticas).

Funje

Um calduço, c´os diabos, dai-me de um “faz-te á vida”, algo assim…
Mas… que não seja muito…ruim
Óh fado… dai-me uma estalada… um cascudo… uma arrochada…
Algo…Qualquer coisa…
Tudo…
Menos…
Este…
Nada!



Talvez seja audaz este querer… mas… e que tal um milagre?
Desses esquecidos no fundo do saco…
Desses que, aparentemente, mormente aos outros estão destinados…vá lá…

Ai ai ai… lá estou eu novamente enterrada até ao pescoço em funje… sim, o funje tem a consistência, o odor e o sabor que hoje caracterizam a minha ampastelada existência… quem já comeu funje percebe a metáfora.
Funje, sem molho, é uma coisa deslavada, sem-saborona e, pior que tudo, é…indegestamente pesada… carambas…

Medo...


O medo mais tolerável e até terapêutico para um veradadeiro fóbico é... o medo que os outros sentem, :o)

Não há coisa mais ternurenta do que observar um fóbico a tentar securizar um terrificado.

Os empanicados passam a vida a tentar gerir o medo que têm das doenças, dos acidentes, do ridículo social, dos outros, no fundo... da morte. O que não deixa se ser paradoxal, estilo: "para não morrer...matou-se!". Mas nós somos assim mesmo... bichos paradoxais.


É claro que tenho os meus medos de estimação, daqueles banalíssimos, como... o medo da mudança hehehehe (no fundo, é o que a maioria de nós mais quer, teme, anseia, e a que mais resiste...enfim...)
Nada incapacitante... nada sintomático... aliás, suspeito até que tenho laivos de potencial suicída, muuuuuuito latentes, não porque me queira matar, sou demasiado curiosa para isso (e a morte também me intriga, mas é a única coisa certa na vida portanto, até lá....) mas porque aparentemente "não tenho medo de nada"....mmmmm.... ou talvez tenha o maior de todos os medos... o medo de ter medo ;o)

Teimosias...


Quando sigo uma regra de forma tão rígida, defendo uma ideia com tal inabalável convicção, realizo uma acção obsessivamente ou rumino avidamente um pensamento... ao ponto de roçar o ridículo da certeza...

Muitas vezes, dou-me conta que é o momento ideal para duvidar e pôr em causa todos esses pressupostos.


Um dia, alguém disse que um dogma é pior que uma bosta de boi, esta última sempre se pode transformar em algo útil.... essa ficou-me... concordo plenamente.

...Tu não és normal...! :O)



.......???????????

Foi uma daquelas observações que escolhi processar como um elogio (afinal ele estava sorrir). E na realidade senti mesmo como um elogio. Meus carissíssimos amigos;


No dia em que me encaixotarem na secção "pessoa normal", por favor, façam-me um internamento compulsivo!
Esse será, muito provavelmente, o momento em que me encontrarei mais-que-perdida, no expoente máximo da minha doideira.

sábado, 17 de abril de 2010

Génios e/ou Loucos?


Dra. Albertina Cebolas
Médica e Psicóloga Clínica
Terapias Complementares Alternativas: Acupuntura, Reflexologia do Pé, Shiatsu, Psico e Hipnoterapia; Leitura e cura de Chakras e Aura; Tai Chi e Chi Kung.

...Génios ou Loucos ???
Quando as fronteiras entre a ciência e a espiritualidade se dissolvem...

Quando Ocidente e Oriente se encontram sob o signo do Ψ, uma, outra vez e cada vez mais, nos livros, revistas, televisão e... afins,...Épá... pelas barbas do profeta! Torna-se incontornável questionarmo-nos, mesmo que apenas como pessoas interessadas em tudo o que envolve a cultura e a mente humana... bolas... não estou a falar em censura desbragada, porra.

Será que, de facto, está na altura de também a ciência psicológica ocidental se escancarar e abraçar esse rico e vasto campo das medicinas alternativas que forçosamente se relaciona com a espiritualidade? Ou deveremos continuar a manter-nos cegos, surdos e silenciosos em relação a esta onda de eventuais “crendices” com comprovadas manifestações neurofisiológicas que se manifestam na alteração de costumes, consciências, comportamentos e opiniões?

Não me parece uma questão lá muito fácil de responder, até porque neste campo muitos dos profissionais têm perspectivas e sentires paradoxais dentro dos seus próprios aparelhos mentais (afinal é gente que vive, pensa, sente e sonha como o comum dos mortais).

O profissional, cientista céptico, experimental que, por um lado foge de abordar racionalmente o tema por falta de evidências empíricas ou quiçá por cobardia do dedo acusador da classe, convive com o ser simbólico, espiritual que, quem sabe, reza antes de dormir ou deita uma espreitadela ao horóscopo ou, entre amigos, manuseia o tarot, partilhando e ouvindo experiências do paranormal.

Será apenas uma questão de ser assumida publicamente a humanidade e expor esse lado pessoal de curiosidade e eventual “fé”, transformando-os nuns seres hipócritas e desonestos, quando não ousam revela-lo? Ou, pelo contrário, a bem da ciência, de forma prudente, defendendo uma escola, deverão manter o que é pessoal e espiritual, pessoal, (afinal é isso que lhes é exigido em consulta) mesmo que sinceramente achem que a viagem astral ou uma regressão às vidas passadas fizesse maravilhas ao paciente?

Na minha modesta opinião, convém antes de mais nada pensar-se o que é que, afinal, um paciente vai fazer a uma consulta. Quais são as expectativas de um paciente, ou do público em geral, em relação a um psicólogo clínico – psicoterapeuta?

Espera, acho eu, encontrar um profissional de desenvolvimento, comportamento humano e saúde mental, com uma aparência agradável, que o acolha, com quem estabeleça uma relação empática, que o compreenda, o escute e que com ele construa um percurso, que o acompanhe numa jornada de conhecimento e crescimento interior, por vezes atribulada, não isenta de sofrimento mas a querer-se em última instância reparadora a promotora do bem estar e coesão interna... ou não?

Independentemente do modelo, suporte teórico e técnico, da teoria de desenvolvimento, ou dos meios e quadros de diagnóstico, acima de tudo, não me parece que quem vá a uma consulta de psicoterapia deseje uma mezinha, uma leitura da aura, (mesmo que o Psi., eventualmente, o consiga fazer). Se quisesse “ir à bruxa” ou “reequilibrar os chackras”, ter-se-ia dirigido a um outro sítio... ou não?

Quando, no umbral da porta se encontra uma placa com Dr.X Psicólogo Clínico - Psicoterapeuta, faz-me sentido que é, de facto, um psicoterapeuta, daqueles, "científicos", que quem sofre procura.

Mas não sei... sei lá...
Afinal, tal como diz o povo; “De Génio e de Louco, todos temos um pouco”

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Auto-estima


“ (…) avaliação subjectiva que uma pessoa faz de si mesma como sendo intrinsecamente positiva ou negativa em algum grau (Sedikides & Gregg, 2003).”




Estima: Apreciação favorável de uma pessoa ou de uma coisa;amizade, apreço, afeição. Consideração. Estimação, avaliação.




Um destes dias dei-me conta que essa coisa da “baixa” auto-estima, a des-estima ou auto-desprezo - porque não? – tem vindo a assumir proporções pandémicas nos últimos tempos... bizarria?


Não há quem não alegue ter uma baixa auto-estima e os que dizem não a ter, possuem, na sua maioria, os vulgarmente conhecidos “mecanismos narcísicos” de defesa (…o que, em rigor, não passa de baixa auto-estima encapsulada numa tosca camada de distorções compensatórias).





Curiosamente, apesar de se apregoar aos sete ventos essa coisa bonita que suposta ou idealmente move o mundo e tudo conquista –isso, o amor - Tornou-se quase do senso comum (de forma latente ou assumida), arrisco afirmar, que isso do amor não passará de uma constelação de transacções biopsicológicas, relacionais, de cariz intra ou interobjectal (no sentido das pessoas e/ou das coisas). Quando esta coisa atinge o expoente máximo, tende a desembocar nas típicas borboletas no estômago – paixão/mania- ou, na azeda figadeira – despezo/depressão…





E… bem vistas as coisas… como não? Cada vez mais aprendemos e ensinamos a alquímica arte de amar através da valorização pelo que se "Dá" e não pela afeição ao que se "É" ….e assim nos vamos dicotomizando entre “os que dão/cuidam” e os que “recebem/são cuidados”. Tudo isto não deixa de ser preocupante para ambas partes (acho eu) dado que os dão, não sabem receber e os que recebem, não sabem dar… belo cenário este…





Crescer sendo amado/estimado pelo que se “Dá” e não pelo que “É”… dá nisto… azia, porque se fica dependente da dádiva do receptor (esse mesmo, o tal que não sabe dar) para preencher o vazio emocional. Se, por ventura, se estiver em relação com um “dador”, desgraçadamente, a coisa também raramente resulta, porque se cai da rotunda do “dou Eu - não - Eu dou” e ninguém se leva a sério….



mmm....Haverá esperança?

Bom, pode ser que um destes dias mude de opinião...

O Anonimato?


Gosto de pensar que se relaciona intimamente com esse cândido substantivo a que chamam de "sinceridade"... e por isso mesmo, agrada-me a ideia de poder escrever aqui - neste singelo lastro de poeira cósmica perdido (ou encontrado) na galáxia da informação tecnológica... (ena, uma elucubração rebuscada, Blharc!) - tudo o que me passar na moleirinha... sem filtros, castrações, padrões, censuras ou demais complicações.


Não que pretenda tornar este Blog num muro de lamentações... na verdade, mais seria um "murro" nas lamentações (chega de fadalhada e coitadísse).


Também nem sempre me apetece entrar num modo escarninho e mal-dizente, apesar de tal acontecer com alguma frequência, confesso (é do sangue Tuga, não há nada a fazer)...

Tenho dias...


É obvio que apesar de não me identificar explicitamente, como tenciono enviar às urtigas o lápis-azul, é bem provável que se me escapem dicas relativamente à minha pessoa... mas até para isso me estou positivamente a cagar (e poderia ter escrito "nas tintas", note-se).

Enfim, em todo o caso, não me parece que seja um humano suficientemente interessante (ou interessado na intresseirísse) para ser "seguido" com regularidade... o objectivo é, em suma, não existir objectivo absolutamente algum com isto!

E... Porquê?


...Porque Não? Sempre poupo dinheiro em Moleskines! Segundo consta, hoje em dia ter um Blog é quase como ter o dedo médio, toda a gente o tem (salvo raras excepções). Tudo depende, portanto, da forma como se lhe dá uso...

Não sei... talvez por ser uma ideia algo "romântica", quem sabe? Ou até se traduza como um qualquer mecanismo simbólico de compensação. Quando era imberbe levaram-me a crer que fazia sentido orar a uma entidade toda-poderosa (sim, Ele mesmo) agora que me apanho nos "intas" , "Deus"...são as novas tecnologias (querem algo mais omnisciente, omnipresente e omnipotente? E tudo à distância de um "click"... pasmemo-nos irmãos). E este, em todo o caso, soa-me revelar-se mais disponível para dar algum feedback às "mensagens", um qualquer que seja.... sempre é melhor que o eco, o do Alfa clássico. A ver vamos...